O ano era 2020

Um conto para a coluna Jogando em Casa

Foto: 44833/Reprodução com alterações

A única coisa em que Gilberto conseguia pensar era chegar em casa e ter com Jéssica e os dois meninos. Sonhava com uma boa pratada de comida e uma noite bem dormida. Nada mais lhe passava pela cabeça. A exaustão o consumia. As bolhas que se formavam em seus pés também. Naquela manhã, contou dezesseis dias desde que deixara Belém do Pará rumo ao Rio de Janeiro. Não via a hora de subir o Vidigal. Sabia que ainda havia uma grande jornada pela frente, mas estava determinado a chegar ao seu destino. Havia deixado o Distrito Federal ainda naquela madrugada fria de junho. Já havia amanhecido, e o sol começava a esquentar seu corpo. Arrastando sua mala pela BR040, não aguentou mais o sapato lhe apertando os pés. Sorte ter aqueles chinelos guardados. Calçou-os por cima das meias e continuou a caminhar. Seu cheiro também não lhe agradava. Tomara poucos banhos em alguns postos de gasolina de beira de estrada. Usava praticamente a mesma roupa desde que dera início à sua saga. O calor do asfalto era nauseabundo, o que lhe causava certa alucinação. Lembrou de Lázaro e da pensão de Dona Dalva.

– Homem, você só pode estar brincando que vai para o Rio de Janeiro a pé.

– E você vê outra maneira, após ter sido demitido e com todas essas contas e as de casa para pagar? Não me sobrou um tostão.

– Você pode conseguir outro emprego aqui e juntar dinheiro para voltar pra casa, homem.

– E ser enganado de novo? Isso não é vida não, rapaz. Faz mais de ano que não vejo minha família. Meus meninos crescendo e eu aqui pra no fim do mês ganhar essa miséria.

– Bom, então me resta desejar boa sorte.

Gilberto se indagava como era possível mais uma vez se encontrar nessa situação desalentadora. Antes de ir trabalhar em Belém, ficara pouco mais de dois anos desempregado. Nesse período, fizera poucos bicos, em geral, reformando casas de alguns vizinhos. Jéssica, assim como Gilberto, não tinha carteira assinada. Trabalhava vez ou outra como diarista em casas de família. A renda dos dois mal dava para o aluguel da casa em que moravam com os dois filhos.

O nó na garganta de Jéssica a acompanhava há bastante tempo. Talvez desde que tivera o primeiro menino. Não sabia ao certo. Na volta do trabalho para casa, Jéssica passara a desviar da mercearia de Dona Márcia. A mulher até que tinha um bom coração, não era de cobrar, mas também precisava receber o seu quinhão. Jéssica nunca chegou a desabafar essa situação com o marido. Não queria afligi-lo ainda mais. Sabia que aqueles espasmos que ele tinha durante a noite eram pura preocupação. Gilberto também carregava uma enorme angústia no peito, que, nos momentos mais críticos, o sufocava. Sentia o peso de não poder sustentar sua família. Mas, tal qual Jéssica, preferia poupá-la de mais um aborrecimento. Todas as noites, quando se ajeitavam na cama estreita para dormir, Gilberto, percebendo a rigidez do corpo da mulher, falava: “Vai ficar tudo bem, Preta. Logo, logo, vou arranjar um emprego que preste e esse sufoco vai passar. Você vai ver. É só uma questão de tempo”. Ela, com olhar fixo na parede mofada do quarto, murmurava: “Deus há de te ouvir”. Somente quando a exaustão chegava ao seu limite que os dois conseguiam, enfim, pegar no sono.

Fato é que as coisas não andavam fáceis no Rio de Janeiro. Gilberto lembrou de quando o responsável pela construtora dispensara cerca de 200 funcionários, alegando ser o efeito da crise. Ouvia todos os dias nos noticiários sobre essa tal crise, mas nunca chegou a entender muito bem o que isso significava. Estava ansioso para receber resposta da vaga a qual se candidatara. Quando recebeu o telefonema da secretária da empresa de recrutamento, sentiu uma onda de euforia tomar conta de cada canto de seu corpo.

– Boa tarde, gostaria de falar com o senhor Gilberto – ela disse.

– É ele. – respondeu apressado.

– Estou ligando a respeito da vaga a qual o senhor se candidatou. O senhor foi selecionado.

De repente, uma expressão de alívio tomou conta de seu semblante. O corpo inteiro formigava. Afoito, fez questão de responder de pronto que aceitava o posto na empreiteira que desenvolveria um projeto para a melhoria da malha viária em Belém. “Até que enfim a sorte bateu na minha porta”, pensou. A situação era tão desesperadora que não se deu o direito de pensar na distância que o separaria de sua família. “É o certo a se fazer”, murmurou. Deveria partir dali a duas semanas. O contrato com a empresa duraria três anos. Se mostrasse bom serviço, poderia acompanhá-la em outras empreitadas, conjecturou.

Assim que Jéssica retornou à casa, Gilberto lhe contou as boas novas. Pelo menos era dessa forma que ele via. Ela, sabiamente, demonstrou satisfação com um sorriso amarelo no canto da boca. Mas a verdade é que não sobrava espaço para mais nada além de desolação. Uma sensação de abandono dominou seu espírito. Queria ir para seu quarto se enfiar embaixo da coberta, mesmo em pleno verão carioca. O que faria sozinha e desempregada com duas crianças para criar? Como viveria sem Gilberto a lhe dizer todas as noites que tudo daria certo? Restou-lhe resignar-se.

Pouco tempo depois, Gilberto entrou no ônibus rumo a Belém. Foi uma viagem exaustiva, de mais de dois dias. A empresa havia adquirido para a os funcionários contratados as passagens em ônibus do tipo convencional. Seu corpo se retorcia de um lado ao outro tentando se encaixar, mas não havia posição confortável naquelas poltronas. O ar condicionado não tinha capacidade suficiente para manter o ambiente fresco. No pico do calor, era necessário abrir as janelas. Os rostos dos passageiros brilhavam de tanta oleosidade. O motorista não viu outra opção, se não abrir os primeiros quatro botões de sua camisa.

No segundo dia de viagem, o cheiro do banheiro era intragável. Nas rápidas paradas durante o caminho, homens e mulheres, sedentos por um banho, disputavam acirradamente as primeiras levas nos banheiros. Não era possível se estender por muito tempo, tamanha era a ânsia das pessoas que estavam na fila para se livrar daquela inhaca. Para economizar, Gilberto comia nada além de um pingado. “Isso basta até a próxima parada”, pensava.

Logo que chegou à pensão de Dona Dalva, conheceu Lázaro, com quem desenvolveria estreita relação de amizade. A história dele era bem parecida com a sua. Na verdade, tempos depois, Gilberto notou que a realidade da maioria dos empregados da empresa se confundia com a sua própria história: homens que precisavam migrar para lugares distantes para sustentar suas famílias. Alguns deles há anos sem encontrar esposa e filhos. “Mas como pode acontecer uma coisa dessas”?, indagou. “Não posso nem imaginar ficar tanto tempo sem ver minha família”. “Acredite, você se acostuma”.

Assim que deixou seus pertences no quarto, Lázaro se ofereceu para mostrar-lhe a cidade. Gilberto se encantou pelo mercado Ver-o-Peso, às margens do rio Guamá.

– Sabe por que o mercado leva esse nome, Gilberto? – indagou Lázaro. E, sem dar oportunidade para resposta, continuou – Ouvi dizer que aqui era o local onde se media o peso das mercadorias que atracavam no porto para que fosse possível cobrar impostos. Entendeu o trocadilho? Ver-o-Peso.

Gilberto achou engraçada a história e soltou uma risada. Lá vendia-se de tudo: frutas, verduras, castanhas, farinhas, uma infinidade de ervas medicinais – com tratamento para qualquer doença que se possa imaginar, para o amor, para finanças, e no que mais se possa crer – especiarias, artesanato, peixes, e mais um incontável número de produtos. Por onde passava, os feirantes ofereciam e, até mesmo, barganhavam a venda de suas mercadorias. Aquele burburinho lhe causava uma peculiar sensação de satisfação. Toda aquela mistura de fragrâncias lhe trazia um bem-estar extraordinário. Foi lá que comeu um dos pratos mais típicos do Pará: peixe frito acompanhado com açaí e farinha. No início, seu paladar estranhou aquele gosto, já que estava habituado a tomar açaí no Rio de Janeiro como uma espécie de sorvete, batido com xarope de guaraná e acompanhado de bananas em rodelas e granola. Já esse comia-se misturado com farinha. Diferente do açaí, seu estomago não podia com tacacá e maniçoba.

A poucos metros do mercado, fica a Estação das Docas, um complexo de bares e restaurantes mais sofisticados. Gilberto e seus amigos nunca ousaram frequentar esse lugar. Talvez pela ostentação dos carros e das pessoas que frequentavam o local.

Durante suas andanças pela cidade, Gilberto observava que em Belém, assim como no Rio de Janeiro, a desigualdade era escancarada. Em meio a torres residenciais luxuosas e carros importados, além de muitas favelas, havia milhares de moradores de rua e pedintes, principalmente na orla e nas praças. À noite, era a vez da prostituição dominar as principais avenidas da cidade. Meninas, ainda muito moças, precisavam vender seus corpos. “Essas pessoas não vivem, apenas sobrevivem”, refletiu Gilberto. Ao mesmo tempo que se ressentia por aquelas pessoas, se identificava bastante com elas. Claro que hoje tinha um teto para dormir e estava empregado. Mas sempre viveu a duras penas, trabalhando desde muito novo para conseguir atender minimamente a suas necessidades.

Cenas de sua infância tomaram seus pensamentos, causando-lhe imensa nostalgia. Recordou-se de como sua mãe praticamente se matava de tanto trabalhar para não faltar comida na mesa para ele e seus irmãos. “Não deve ter sido nada fácil pra ela criar os filhos sozinha”, pensou. Mas fato era que Gilberto havia herdado essa resiliência de sua mãe.

Nas primeiras semanas, quando ainda tudo era novidade, Gilberto estava bastante empolgado. Adorava frequentar casas de festas ao som do Carimbó. Foram muitas as noitadas regadas a cerveja e cachaça de jambu. Essa era das boas. Deixava a língua e os lábios dormentes, quase impossibilitando o cabra de falar. Mas com o passar do tempo, e com a intensificação do serviço, seu corpo já não respondia da mesma forma. Seus companheiros, antes muito animados, também estavam exaustos.

As obras de melhoria da malha rodoviária eram de uma complexidade enorme. Gilberto nunca havia trabalhado em um empreendimento dessa magnitude. No pico das obras, havia centenas de funcionários trabalhando ao mesmo tempo. Gilberto fora alocado na função de pavimentação. Infelizmente, não era um dos operários que conduzia as máquinas de rolo compressor. Trabalhava diretamente sobre o piche. Vestindo uniforme laranja, daqueles que servem para sinalizar os trabalhadores em serviço, botinas e capacete, sua tarefa era espalhar a massa asfáltica ao longo da rodovia. O uso diário da enxada, seu único instrumento de trabalho, deixara suas mãos calejadas e todo o seu corpo fadigado. Um suor escuro corria pela sua testa. Sentia dor em todos os músculos do seu corpo, especialmente na região abdominal. Também desenvolvera uma tosse aguda, devido à exposição aos gases emitidos pelo asfalto. O médico da construtora que o examinara afirmou que ele não precisava se preocupar. Receitou alguns medicamentos e disse que em poucos dias se sentiria melhor.

A rotina de Gilberto se resumia em ir ao trabalho e à pensão de Dona Dalva. O ônibus fretado buscava todos os funcionários às 6h20 e os devolvia às 17h. A refeição era fornecida pela empresa. Almoçavam na rodovia mesmo, embaixo de alguma árvore. Aos domingos, Gilberto passava praticamente o dia todo deitado. Precisava descansar o corpo para encarar a semana seguinte. À noite, costumava ligar para Jéssica:

– Oi, Preta. Tudo bem por aí? Como estão os meninos?

– Oi, amor. Está tudo bem. Graças a Deus. Essa semana fiz uma faxina lá no Leme. Espero que me chamem mais vezes. O dinheiro deu para pagar aquela dívida da mercearia da Dona Márcia. Ah, os meninos estão ótimos. Caiu mais um dente de leite do Luizinho, acredita? Ele ficou todo orgulhoso. Disse que não doeu nada. Veio com o dente na mão e disse: olha, mamãe. O Luquinhas está bem também. Ele está aprendendo a ler que é uma beleza! Você precisa ver. E como estão as coisas por aí?

– Tudo certo por aqui. Sem muitas novidades – a fala de Gilberto foi interrompida por aquela tosse seca que o perseguia há meses.

– Amor, você está tossindo até hoje? Não está tomando os remédios que o médico receitou?

– Estou bem melhor, Preta. Não se preocupa não. Vou ter que desligar porque tem mais gente querendo usar o telefone aqui. Fica com Deus e fala para os meninos que mandei oi.

Gilberto sabia que não se livraria daquela tosse. Não enquanto trabalhasse na obra. Receber notícias de casa lhe causava uma mistura de sensações. Ao mesmo tempo em que ficava contente em saber que estava tudo bem por lá, sentia profunda tristeza de não acompanhar o crescimento dos filhos. Será que seria possível recuperar todo esse tempo?

Quando recebia seu salário, Gilberto começava a fazer contas. Mas dificilmente elas fechavam. Tinha que pagar a mensalidade na pensão de Dona Dalva e os gastos que tinha com a sua própria alimentação, o aluguel da casa no Rio de Janeiro, mais gastos com alimentação das crianças e de Jéssica, água e luz. Sem falar nas despesas imprevistas, como nos meses em que seus filhos ficavam doentes e era necessário gastar com remédios. Tinha que economizar de alguma forma. Se arrependeu de ter feito gastos com as poucas saídas que fez em Belém. Ficou se torturando com esse pensamento durante alguns dias. “Poderia ter pago boa parte do aluguel com esse dinheiro. Mas agora não adianta chorar pelo leite derramado”. Dali em diante, passou a recusar todos os convites de seus companheiros para tomar cerveja aos fins de semana. Dizia sempre estar indisposto. Lázaro oferecia para lhe pagar a conta, mas Gilberto sempre recusava. Seu amigo falava que daquele jeito ele ficaria doente, que também precisava viver. Mas não surtia efeito. Até o ponto que desistiram de chamá-lo. A verdade é que Gilberto não pretendia ficar em dívida com ninguém e que já tinha se acostumado, há muito tempo, a apenas sobreviver.

Nos primeiros meses de 2020, quando completava pouco mais de um ano que Gilberto chegara a Belém, começou a correr a notícia de que a economia sofreria uma nova retração devido a um vírus que vinha se espalhando pelo mundo. À noite, na pensão de Dona Dalva, enquanto jantavam, Gilberto e seus companheiros, assistiam ao jornal. Todos os dias era noticiada a pandemia que estava se instalando em alguns países europeus. “Novo epicentro da pandemia”, dizia-se. Gilberto comentou com Lázaro:

– Rapaz, que loucura essa história. Nunca ouvi falar de uma coisa dessas. Parece cena de filme.

– Pois é! O mundo deve estar acabando mesmo. Torcer pra isso não vir pras bandas de cá.

– Vira essa boca pra lá, praga! Chega não!

No mês seguinte, os primeiros casos da doença no Brasil começaram a ser noticiados e a primeira morte foi confirmada. Pouco tempo depois, eram centenas de mortes. Jéssica contava a Gilberto que o Rio de Janeiro estava um caos. Havia muitos casos confirmados e o governo estava falando em decretar quarentena para que o vírus não se propagasse ainda mais.

– Como vou conseguir trabalhar em casa de família se estão falando em um tal de distanciamento social? Já pensou numa coisa dessas? – indagou Jéssica.

Dias depois, a construtora convocou os funcionários para uma reunião de emergência.

– Isso não está me cheirando coisa boa – disse Lázaro.

– Pensamento positivo, meu irmão – Gilberto respondeu.

A sala de reunião parecia mais um velório. Um silêncio ensurdecedor dominava o ambiente. Homens, uniformizados com seus capacetes repousados sobre os joelhos, não emitiam um ruído sequer. Foi quando o responsável pela obra começou:

– Como vocês têm acompanhado as notícias…

Dali em diante, Gilberto não conseguiu escutar mais nenhuma palavra. No total, mais de 500 funcionários foram mandados de volta para casa, com a promessa de que quando tudo se normalizasse seriam convocados novamente. Gilberto somente retomou sua atenção quando Lázaro lhe perguntou: “Você ouviu ele dizendo que estamos todos no mesmo barco? Dá pra acreditar numa coisa dessas?”. Mas a única coisa em que Gilberto conseguia pensar era nas contas.

Naquele tempo todo na estrada, Gilberto não havia pedido nem mesmo uma carona. Os caminhoneiros e alguns carros de passeio paravam voluntariamente para oferecer-lhe. ”Eu não sou homem de pedir caridade de ninguém. Vim por conta própria, vou voltar da mesma forma”, pensava. Mas a verdade é que não tinha pressa para chegar em casa. Não sabia como encarar Jéssica e os meninos, novamente desempregado e sem perspectiva de conseguir um novo trabalho. Quando não tinha mais forças, um casal lhe ofereceu carona. Gilberto já não raciocinava muito bem, tamanha a exaustão. Fez que sim com a cabeça e entrou no carro. A moça lhe perguntou:

– Está indo pra onde?

– Para o Rio de Janeiro.

– A gente pode te deixar na próxima cidade. Tudo bem?

– Claro.

– E você está vindo de onde?

– De Belém. Hoje completam dezesseis dias desde que saí de lá. Essa noite dormi no Paranoá e estou caminhando desde as 4h.

– Caramba!

Após escutar essa última palavra, Gilberto caiu num sono profundo. Acordou somente quando disseram: “chegamos”. Era o estacionamento de um posto de gasolina. O casal, impressionado com aquela história, lhe deu uma quantia suficiente para comprar a passagem até o Rio de Janeiro. Gilberto, ainda zonzo, olhou-os com gratidão, mas não conseguiu agradecer em palavras. Comprou a passagem para a noite daquele mesmo dia. Ainda sobrou um trocado para comer um pão de queijo e tomar um café. A sua volta para casa fora encurtada em alguns dias. Suas mãos suavam frio com a ansiedade. Foi o tempo do motorista ligar o motor do ônibus para Gilberto apagar novamente. Acordou com o ônibus estacionando na rodoferroviária do Rio.

Gilberto pensou que, ao subir o Vidigal, estaria radiante de alegria. Mas sentia exatamente o oposto. Sentia aquela angústia dominar novamente o seu espírito. Quando chegou em frente à sua casa, ficou alguns minutos a observando para tomar coragem de entrar. Sentou-se no meio fio por alguns instantes até sentir a mão de Jéssica repousar sobre seu ombro. Ao levantar a cabeça para olhá-la, ela lhe disse

– Vai dar tudo certo, você vai ver.


Fernanda Anjos

29 de outubro de 2020